Lutas de poder


A comunicação tem um poder incrível sobe nós. Estreita laços, elucida, conquista, mas também fere, complica e corta relações. Porquê?

Lutas de poder. Todos querem ter razão. Quem concorda connosco faz-nos sentir que estamos no caminho certo, que sabemos “a verdade”, que temos razão. Se temos razão, somos os maiores e, como tal, teremos não só a aprovação da restante sociedade, como também a sua admiração. Deste modo, é fácil convivermos com aqueles que são como nós. Por outro lado, é difícil interagir com quem pensa de modo diferente.

A nossa preocupação em ter razão coloca-nos num determinado contexto. Começamos a ver uma situação com uma determinada lente. Explicando melhor, quando alguém discorda da nossa opinião, vemos uma ameaça. Não vemos alguém a partilhar algo diferente, mas alguém que nos quer afastar do trono da razão. A nossa “lente” amplia rapidamente a situação e torna-se necessário adaptar o nosso discurso. Ou seja, levantamos a voz. Quando o tom se eleva, faz sentido utilizar expressões fortes, diretas e precisas como: “Tu não percebes nada disto!” E abrem-se as portas aos desentendimentos, ofensas e rancores. Deixem-me fazer algumas perguntas.

Preferem ter razão ou serem felizes? 

Porque é que em vez de entrarem numa luta de poder, não desenvolvem um gosto por filosofar? Porque não têm mais curiosidade pela diversidade? Porque não se dedicam a conhecer um pouco mais os outros, a conhecer formas diferentes de organizar o pensamento e tentar perceber diferentes formas de sentir? Não seria uma viagem interessante? Não é culturalmente interessante viajar para outros países e poder conhecer o seu artesanato, as duas danças, a sua música, a sua gastronomia, a sua língua, costumes e crenças? É culturalmente enriquecedor. Há muita riqueza à nossa volta. Há também pessoas a viver os seus dramas. O nosso contexto condiciona a nossa comunicação.

Um desafio: em vez de dispararem um “não é nada assim”, digam assertivamente que estão a ver a questão por outra perspectiva. Digam que é curioso o que estão a ouvir, mas que se identificam mais com outro ponto de vista. 

É muito interessante andar em busca da “verdade”. Mas mais interessante do que chegar lá, é todo o percurso de companheirismo e partilha de ideias, visões, impressões. São os diálogos em que ambas as partes dão um contributo. É a dança de argumento e contra-argumento.



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