Falhas de comunicação
Uma grande razão prende-se com o contexto em que cada um se encontra, condicionando assim a sua perspetiva.
Os outros não nos ouvem. Interpretam-nos. Interpretação esta que depende da graduação das lentes que cada um tem diante dos seus olhos.
Certo dia li uma história muito interessante. Um homem estava num rio a gritar que não sabia nadar. Outro homem estava sentado numa rocha na margem do rio e diz que também não sabe nadar e que não está a gritar. Nenhum sabe nadar e só um grita. Claro. O que grita está dentro de água e o outro não.
Muitos mal-entendidos surgem somente porque temos a tendência de julgar os outros por aquilo que nós somos. Colocarmo-nos no lugar do outro, tentar perceber como é estar na água, é difícil.
Imaginem a seguinte situação. A Maria tem lentes de contacto verdes que ampliam tudo o que vê. A Joana tem lentes de contacto azuis que não ampliam o que vê. Nenhuma delas sabe que têm lentes de contato e muito menos que a outra tem lentes de contato diferentes. Agora imaginem a Maria a dizer que o mundo é verde e que as coisas são muito grandes. A Joana vai dizer logo que não é verdade. Vai insistir que o mundo é azul e que não acha que as coisas sejam grandes. Imaginem a discussão e como cada uma está convicta do que diz, sem perceber como é que a outra ousa afirmar que é diferente. Só pode ser para provocar. Já imaginaram a confusão?
Cada um de nós tem as suas “lentes”, a sua perspectiva, o seu contexto. Porque queremos tanto que os outros concordem connosco? Podemos entrar numa luta desgastante pela razão, ou podemos enriquecer ao conhecer tanta diversidade.
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